Pesquisa no RS aponta relação entre baixo rendimento escolar e violência

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Pesquisadores do Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul, que fica em Porto Alegre, realizam estudo que já apontou relação entre o mau desempenho de crianças e jovens na escola com situações de violência. O índice fica entre 10% e 15%. Esses dados já coletados vêm surpreendendo os especialistas.

“A gente está identificando que de 10% a 15% do mau desempenho pode estar relacionado com a violência. É um número muito alto se você pensar em todos os fatores negativos que podem estar explicando o baixo desempenho escolar”, diz o coordenador da pesquisa, Augusto Buchweitz.

A pesquisa começou em março deste ano com alunos de escolas públicas. Eles têm entre 10 e 12 anos, e convivem com situações como maus-tratos, assaltos e ameaças.

Os estudantes passam por exames de neuroimagem, enquanto respondem a tarefas de atenção, memória e reconhecimento de emoções.

Os resultados mostram que o cérebro das crianças entra em um modo de sobrevivência, desligando as partes responsáveis pela atenção e pela empatia.

“Para educação é muito importante você ter relações com os professores e com os colegas. A medida que isso comeca a ser impactado pela violência, pelo trauma que a criança está passando, as relações sociais e o desempenho escolar dela pode ser afetado, sim”, destaca Buchweitz.

O objetivo dos pesquisadores agora é traçar um método para recuperar o aprendizado. Os cérebros dos jovens apresentam grande capacidade de recuperação, e as alterações detectadas nos testes podem ser revertidas.

“Não é uma coisa que uma criança tem que se acostumar e achar que aquilo ali é o normal, é o certo. Eles têm que entender que está errado. A gente tem que arranjar uma forma de mostrar que não é correto”, avalia a professora Cláudia Roletto. Ela trabalha em uma escola da Zona Norte de Porto Alegre que já enfrentou episódios de violência.

“Está tão difícil que, para as crianças, está parecendo que e normal. Muitas crianças vivem isso e falam. Tu fica, assim, horrorizada de coisas que eles contam e falam como se fosse a coisa mais normal do mundo”, desabafa.

A reportagem questionou um dos alunos sobre o que ele faz quando se depara com situações de violência. “Saio de perto, vou para longe (…) Entro para dentro da minha casa, do meu quarto”, respondeu, sem ser identificado. “Fico assim, triste”, completou.

Outro estudante resumiu o sentimento: “Fico pensando em morte, fico assustado”. Uma aluna também disse como se sente: “Aprender é muito difícil pensando em outras coisas”.

Fonte: G1