Homicídios dispararam na Região Metropolitana de Poa

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Enquanto Porto Alegre comemora redução de homicídios, grandes municípios do seu entorno veem os índices deste crime saltar aos patamares mais altos da década. Pelo menos desde 2011, ano em que a Secretaria da Segurança Pública (SSP) passou a disponibilizar os indicadores criminais mês a mês, Cachoeirinha, Canoas e Alvorada — três dos quatro municípios com mais de 100 mil habitantes limítrofes da Capital — nunca tinham alcançado números parecidos nos seis primeiros meses do ano. Apenas Viamão acompanhou a Capital ao reduzir a taxa em 1,69%, de 59 para 58 casos.

Cachoeirinha mais do que dobrou a incidência, passando de 12, em 2016, para 27 homicídios neste ano, um aumento de 125%. Em Canoas, a elevação chegou a 47,05% e em Alvorada, cresceu 38,59%. Gravataí, na Região Metropolitana, a 6ª maior cidade do Estado, embora não seja lindeira à Capital, também registrou elevação, de 36,53%.

Dois fenômenos ajudam a entender a disparidade entre a Capital e seus arredores. Um deles são os territórios que ainda estão em disputa por traficantes rivais e que jogam para o alto, em decorrência dos confrontos, o número de homicídios. Para o comandante do Policiamento Metropolitano da Brigada Militar, coronel Altemir Lima, diferentemente da Capital, na Grande Porto Alegre há inúmeros pontos de tráfico de drogas cobiçados pelas grandes facções, mas que ainda não têm dono ou estão dominados por quadrilhas locais.

É o que se passa em Cachoeirinha. O titular da 2ª Delegacia de Polícia do município, delegado Newton Martins, explica que neste ano uma das grandes facções do Estado está se confrontando com outra de grande porte.

— Esse grupo está tentando entrar, tomar conta, mas há resistência de quem já está consolidado aqui — explicou o delegado.

Embates semelhantes fizeram com que Canoas chegasse a 22 execuções apenas no primeiro mês do ano, metade delas no bairro Mathias Velho.

— Em janeiro, uma grande facção finalizou a tomada do Mathias Velho, até então dominado por traficantes do bairro. Por isso, tivemos um mês atípico, com tantas mortes — destacou o titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Canoas, Luis Antonio Reis Firmino, contando que o município fechou o mês de janeiro de 2016 com nove homicídios.

Outro fator levado em conta tanto pelo coronel da Brigada Militar quanto pelo delegado especializado em homicídios é o reforço do policiamento na Capital. Afugentados pelo presença ostensiva de brigadianos, os criminosos tiveram de migrar para outras cidades.

— Aqui (na Região Metropolitana) acontece o inverso de Porto Alegre, porque quando se aumenta o policiamento em um local, o crime vai para outro. Marginal não troca de profissão, ele migra de área — enfatizou o coronel Lima.

Em Canoas impera o medo de sair às ruas

— Eu nunca tinha visto tanta violência, tanta morte — conta uma mulher de 75 anos, há 30 moradora na Rua Santos Dias da Silva, no bairro Mathias Velho, em Canoas.

O receio é tanto que mudar de local se tornou uma prática comum na área:

— Não saio mais de casa de noite. De dia, só se precisar. Minha filha foi embora depois que uma bala passou por cima da cama onde ela dormia. Se eu conseguir vender a casa, vou também — desabafou outra mulher, de 52 anos. que também vive na Rua Santos Dias da Silva.

Nesta via, sete pessoas foram baleadas e duas morreram no dia 25 de julho, quando um grupo armado com fuzis abriu fogo contra pessoas que estavam em uma festa. Os adolescentes Bruno de Lima Kanoff e Andrius Gabriel Lindemar, de 15 e 16 anos, embora sem qualquer relação com a disputa pelo tráfico de drogas que resultou nos disparos a esmo, estavam na hora errada, no local errado. Os atiradores tinham como alvo outras pessoas que estavam no ambiente.

Perto dali, no dia 4 de abril, Leila Vieira Fortuna, 35 anos, deixou a peça em que vivia com o marido, Leonardo Nascimento, 27 anos. Deu dois passos para fora de casa quando resolveu voltar para dar um beijo de despedida no marido. Depois disso, saiu para tomar um ônibus. Enquanto aguardava o coletivo na parada foi atingida por uma bala perdida no peito.

Alento em julho

O mês de julho abre o segundo semestre com números positivos relacionados a homicídios na Grande Porto Alegre. Conforme o coronel Lima, comandante do Policiamento Metropolitano da Brigada Militar, os homicídios caíram 35,71% em relação a junho — de 56 para 36 casos. Em Canoas, se comparado julho deste ano com o mesmo mês de 2016, a baixa foi de 87,5%, de oito para um homicídio.

— Isso é resultado do reforço de 226 novos soldados que chegaram em julho, das ações da Operação Avante e da transferência de presos para penitenciárias federais. Muito antes do embarque daqueles líderes, já haviam ações de policiamento pelas ruas que possibilitaram essa operação — argumentou o oficial.

HOMICÍDIOS

Porto Alegre
1º semestre 2016: 359
1º semestre 2017: 325
Redução: 9,47%

Cachoeirinha
1º semestre 2016: 12
1º semestre 2017: 27
Aumento: 125%

Canoas
1º semestre 2016: 51
1º semestre 2017: 75
Aumento: 47,05%

Alvorada
1º semestre 2016: 57
1º semestre 2017: 79
Aumento: 38,59%

Gravataí
1º semestre 2016: 52
1º semestre 2017: 71
Aumento: 36,53%

Viamão
1º semestre 2016: 59
1º semestre 2017: 58
Redução: 1,69%

MUNICÍPIOS BATEM RECORDE DE HOMICÍDIOS NO 1º SEMESTRE

CANOAS
2017 – 75
2016 – 51
2015 – 53
2014 – 51
2013 – 68
2012 – 44
2011 – 42

CACHOEIRINHA
2017 – 27
2016 – 12
2015 – 22
2014 – 19
2013 – 7
2012 – 15
2011 – 13

ALVORADA
2017 – 79
2016 – 57
2015 – 62
2014 – 70
2013 – 53
2012 – 67
2011 – 37

Fonte: Zero Hora (com informações Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul)

Foto: Derli Colomo Jr