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Novos presídios para um novo começo

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Temos visto notícias de países que estão fechando presídios pela redução de criminosos. Algumas abordam a situação do Brasil, já conhecido pelo déficit de vagas e frouxidão na lei, com a maioria delas falando em prevenção e educação. No entanto, devemos parar de nos enganar, não haverá solução sem que se passe antes pela real punição. O Estado precisa assumir o comando da situação.

A criminalidade é um problema nacional que não é enfrentado com o interesse e o pulso firme necessário. A verdade é que o governo federal abandonou a população à própria sorte. Enquanto isso, por aqui, precisamos reconhecer que estamos vivendo uma situação de “hemorragia”, que precisa ser estancada. Temos bem claro que todas as iniciativas de prevenção são necessárias e urgentes. Porém, elas não substituem as medidas punitivas, que dependem de investimentos no sistema carcerário, como na construção de presídios municipais/regionais que tenham a missão de penalizar e recuperar os presos, bem como dar proteção à população que sofre com a insegurança.

Chega do discurso de que não adianta empilhar presos. Chega do discurso que os presídios são universidades do crime. Esse discurso tenta justificar a impunidade e barra ações efetivas que mudem esse cenário. Chega do discurso de que a única solução é a educação, embora ela seja extremamente relevante. Esse discurso é dualista (isso ou aquilo) e enganoso. Chega do discurso de que não temos recursos, a criminalidade é muito mais cara quando está sem controle.

Não podemos aceitar que as pessoas que legislam e administram nosso Estado não tenham, até o momento, dado a atenção que essa situação exige. Esta “hemorragia” precisa ser controlada, pois ela nos tirou a dignidade, nos tirou a liberdade de ir e vir. Está na hora de acordar para um novo começo, de valorizar as vidas interrompidas abruptamente. Que este seja o primeiro passo para podermos ver, também por aqui, a manchete de presídios sendo fechados.

Paula Ioris – vice-presidente da ONG Brasil Sem Grades