. .

Ética e Impunidade

people-692005_1280

Para incorporar a ética a maneira de ser do brasileiro, será necessário bem mais que eliminar a impunidade! Ética é o que faz a pessoa proceder corretamente mesmo quando não é vigiada. É o que a leva a não tirar uma vantagem indevida mesmo que possa sair impune.

Só somos éticos por acreditarmos que existem recompensas maiores que as vantagens imediatas que poderíamos ter. Para tanto, precisamos acreditar na punição de quem transgredir as regras!

As religiões conseguem que os fiéis ajam de acordo com sua ética. Estabelecem a certeza da existência de uma vida eterna, cuja qualidade dependerá do comportamento ao longo da vida terrena. O paraíso para o bom, a ameaça do inferno para o mau.

Há outros aspectos: a fé na existência de um Deus que julgará os comportamentos, e perante o qual seremos todos iguais. E Deus é Onisciente, Onipresente, Implacável e Incorruptível. A certeza disso é fundamental!

Três coisas são básicas para uma “ética civil”: que todos sejam iguais perante a Lei, que exista uma visão clara dos benefícios a serem obtidos, e que exista a absoluta certeza de que a falta de ética será punida.

No Brasil o povo afeito a séculos de submissão e desprezo, desconhece a pretensa igualdade civil, e percebe o Governo como um “Pai de todos” a prover necessidades. A eleição é vista como a escolha dos que passarão a “proprietários” do Estado e que não deverão satisfações a ninguém.

Esse povo não participou da declaração da República, ato que deveria ter sido o marco inicial do que chamamos “felicidade pública”: a liberdade de opinar e protestar dentro da lei, independentemente de sua origem social! Orgulho de servir, não de servir-se! O orgulho de demonstrar “espírito público”, esse atributo raro que destaca os capazes de decidir em favor do público em detrimento de seus interesses pessoais.

A criação de uma infraestrutura política, social e econômica que assegure saúde, educação e segurança, dependem da criação da “felicidade pública”. O que, por sua vez, depende de assegurar a igualdade social e a punição dos infratores. Ou seja: diante de um caminho tão complexo, acabar com a impunidade é um bom começo, que não podemos deixar por aí!

Como o Estado não é onisciente, onipresente, implacável e incorruptível, é indispensável que o cidadão tome consciência de que “o preço da liberdade é a eterna vigilância”!

Por Ernesto Oderich – membro fundador da ONG Brasil Sem Grades